Quanto mais envelhecemos, mais exigentes ficamos, seja com pessoas, comidas, livros ou lugares. Para você que está embarcando nessa (conheço jovens que são piores que um ser humano de 80 anos), teci alguns conselhos para lhe (me) ajudar no processo.
1. Nem toda opinião precisa de um contraplano.
Às vezes a pessoa diz uma bobagem e o universo continua girando. É decepcionante, eu sei, mas é econômico. Acredite em mim!
2. Silenciar pessoas ou grupos não é covardia.
É uma forma civilizada de sair da sala sem precisar derrubar a estante. É o equivalente digital de levantar a sobrancelha e continuar vivendo.
3. Antes de responder, perguntar: “isso merece minha energia ou só meu desprezo decorativo?”
Na maioria das vezes, o desprezo decorativo resolve.
4. Ninguém é obrigado a ser interessante o tempo todo.
O problema começa quando a pessoa também não é interessante em nenhum momento e mesmo assim insiste.
5. Há leitores em formação e leitores em exibição.
Os primeiros erram livros. Os segundos erram o tom.
6. Não transformar mau gosto alheio em missão pessoal.
A vida já tem imposto de renda, senha de banco e call de alinhamento. Não é preciso acrescentar cruzadas literárias/musicais.
7. Se for criticar, criticar o fenômeno, não a criatura.
A criatura pode ser apenas uma vítima do algoritmo, da autoestima ou de uma sinopse mal interpretada devido a uma sinapse mal feita.
8. Todo grupo, seja no mundo real ou digital, tem o palestrinha oficial.
O segredo, criançada, é não disputar o cargo.
9. Nem toda frase inflada merece ser furada.
Algumas murcham sozinhas, com o tempo. Outras viram post no LinkedIn, o que é quase a mesma coisa.
10. A irritação é boa matéria-prima, mas péssimo produto final.
Publicada quente, parece coragem. Lida no dia seguinte, tem cara de refluxo.
11. Cuidado com a superioridade moral em ambiente fechado.
Ela dá um conforto delicioso, mas pouca ventilação.
12. O grupo pode ser ruim e ainda assim útil.
Serve para contatos, pautas, observação humana e para lembrar que a solidão, às vezes, é uma companheira da porra e com excelente curadoria e bom gosto.
13. Participar pouco das discussões também é participar.
Há quem contribua com textão/falas bem pontuadas. Há quem contribua com silêncio. Só que o silêncio costuma ter uma revisão melhor.
14. Sair de um evento/lugar não exige manifesto.
Basta sair. Manifesto é para independência nacional, golpe militar e banda que troca de vocalista.
15. Antes de escrever sobre bobagens das pessoas, perguntar: “estou fazendo literatura ou boletim de ocorrência?”
A literatura agradece!
16. O digital é cheio de gente usando o já batido termo “performando repertório”.
Convém não performar impaciência como se fosse inteligência superior. É o mesmo teatro, só muda o figurino.
17. Às vezes a pessoa não é burra.
Ela só está digitando rápido, lendo pouco e tendo opiniões rasas baseadas num card que ela passou os olhos rapidamente no Instagram (além de fazer de conta que é a protagonista de um filme/série que ninguém quer ver).
18. O melhor comentário talvez seja nenhum.
Acho que aqui estou me repetindo, mas fodam-se: uma frase boa guardada será melhor aproveitada se vier a ser texto. Uma frase boa enviada pode virar discussão com alguém que usa “gratidão” no fim de briga.
19. Não entrar em toda piscina só porque alguém disse “vem”.
Algumas são rasas. Outras têm cloro demais. Melhor assistir o filme do Pelé.
20. Regra final (mais uma vez): observar, rir, anotar, viver.
E, quando necessário, silenciar. A civilização talvez tenha começado quando alguém descobriu o botão “sem notificações por um ano”.
É isso. Espero, de coração, que tenha odiado.
E como diz a menina a Sarah Marie (que faz vídeos criticando ações que ela mesma faz nos vídeos😂 ), é um alívio ser desinteressante!
Esse 5, ouch. Precisava ler isso!
(eu tinha escrito mais porque precisava ler isso, mas é a terceira vez que eu tento comentar e já nem lembro o que tanto tinha falado antes – as outras duas vezes tentei pelo celular e por um tablet, noutro dia, ambas deram errado e perdi o que tinha escrito 🫠 acho que é porque não estava logado no wordpress/gravatar)
Sempre tem esses problemas mesmo. Sistemas de comentários deveriam ser unificados para todas as plataformas. Teoricamente é, mas não na prática.