
Essa é uma postagem sugerida pelo Entreblogs, um coletivo criado pela querida Ba Moretti (verdadeira catalisadora de pessoas legais) e que, entusiasmado que sou, adorei a ideia. Recomendo a participação porque é uma maneira de ferver a blogosfera como nos velhos tempos, além de conhecer estranhos de lugares diversos que pensam como você, com os mesmos anseios, preocupações e desejos.
1. Quando surgiu a ideia de criar seu blog?
Desde que eu tive internet em casa, em 1998. Naquela época, ter um site pessoal era a coisa mais cool que alguém poderia fazer. Só que para isso era necessário quebrar a cabeça com códigos HTML, e mesmo assim tendo resultados engessados. Pensando nessa demanda, foi um alívio quando surgiu o Blogspot, deixando tudo mais fácil, apesar de ainda quebrar a cabeça.
Depois de vários testes, no dia 18 de maio de 2001, um domingo, fiz minha primeira postagem em meu primeiro blog. Ele era mais pessoal, mais autoral e mais pop. Tinha diversas tags e assuntos, sendo um verdadeiro expurgo para tudo, absolutamente tudo que eu consumia por 14 anos. Encerrei ele e fui para o WordPress, fazendo posts mais elaborados, mas ainda assim bem pessoais.
2. Origem do nome do seu blog? Trocaria o nome? Por qual?
No tempo do mIRC, você precisava de um nickname único e fácil de achar. Eu tinha acabado de ler sobre o ENIAC, um dos primeiros computadores, gigante, programado quase todo por mulheres. Peguei o “ENIAC”, coloquei um D de Daniel na frente e nasceu Deniac.
Até hoje é único. Você joga no Google e sou eu em primeiro lugar. Depois vem um alvejante francês, uma banda de metal farofa europeia e um mineiro chamado José Deniac.
E o Low-Tech é porque sempre tive essa perspectiva que somos mais felizes com tudo o que é real, tátil. Ao mesmo tempo que o digital é fascinante, não podemos perder a nossa humanidade. Como eu já disse uma vez:
Você é low-tech quando pensa duas vezes antes de comprar qualquer coisa nova; Você é low-tech quando passa três ou quatro anos com o mesmo celular; Você é low-tech quando reutiliza algo; Você é low-tech quando aprende a reparar desde roupas até aparelhos eletrônicos. E apesar do antagonismo, você constrói o futuro quando é low-tech.
3. Você tem outros blogs além deste?
Não.
4. Já pensou em desistir do seu blog alguma vez?
Jamais.
5. O que te faz continuar com um blog em tempos de scrolls infinitos?
Talvez seja justamente o cansaço do tal infinito. O feed é um corredor de aeroporto: gente passando, anúncios piscando, vozes se atropelando. Tudo descartável. O blog, não. Aqui é uma sala de estar. É um vinil girando maneiro enquanto o mundo lá fora acelera. Eu continuo porque preciso de profundidade, porque nem tudo cabe em 15 segundos, nem toda ideia nasce pronta para virar uma trend. O blog me permite essa arquitetura lenta do pensamento.
Continuo porque sou autor da minha própria vida. E ela se espatifa aqui sempre que quero. A minha vida é minha tinta, e tento construir tudo com um certo encanto criativo.
Enquanto houver alguém disposto a parar, respirar e ler até o fim, vale a pena continuar escrevendo.
Scroll infinito é só espuma, mas blog é um oceano.
6. Qual é o seu post favorito no blog?
Quando voltei para São Paulo em 2024, depois de 2 anos morando em Porto Alegre (2 semanas antes das grandes enchentes e, sim, seríamos afetados), o táxi que pegamos no aeroporto passou pelo Minhocão. E eu vi na lateral de um prédio inteiro um painel gigante da Marcela Scheid e sua célebre frase: “Todo recomeço nasce de um incômodo”. Deu tempo para sacar o celular e tirar uma foto da janela.
Aquilo me tocou porque percebi que todas as minhas escolhas (as que chamei de acertos e as que chamei de erros) me trouxeram até aqui. Ali entendi que nenhuma decisão é pura. Toda escolha carrega em si a possibilidade da queda e da revelação. Nada é absolutamente certo. Nada é totalmente errado.
Daí escrevi o post que é um dos mais lidos até hoje em meu blog. E o melhor é que pelas estatísticas, as pessoas vêm de lugares diversos via buscadores.
E foi assim que veio o post Sagrado incômodo, Deus de todos os recomeços.
7. Mande uma mensagem para outros blogueiros:
Não desistam. O que fazemos pode não gerar notificação a cada minuto, mas gera densidade e um senso de comunidade único. Manter um blog é quase um gesto contracultural.
Quem escreve com intenção não está competindo por cliques, mas construindo um legado pessoal. E seja lá no ritmo que for, é muito foda.
Se o mundo quer deslizar, que deslizem até o quinto dos infernos. Nós seguimos cavando e encontrando joias preciosas.
RAPIDINHAS SINCERAS (do momento)
Uma música: Luna – Smashing Pumpkins
Um livro: Reconhecimento de Padrões – William Gibson
Um filme: Lost In Translation (Sofia Coppola, 2003)
Um hobby: Música. Ouço de tudo. Categorizo tudo.
Um medo: Meu menino crescer e ser um fascista escroto.
Uma mania: Não consigo pensar ou assistir alguma coisa, sem ter algo nas mãos, mexendo.
Um sonho: Ter uma sala dedicada a áudio e vídeo.
Não consigo viver sem: Comer e beber bem.
Tem coleção de alguma coisa? Vinil.
Do que mais gosto no meu blog? Ele ser minha versão digital.
Desejo literário do momento: O box de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust.
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adorei suas respostas e sua visão da blogosfera. Acredito muito no ritmo lento que move isso aqui e que nos preenche de uma maneira mais próxima do que o grande shopping que virou toda rede social.
Um abraço
Que bom que gostou, Aline.
Apareça sempre!
Adorei conhecer um pouco da sua história Daniel!
É muito interessante ver o quanto essas plataformas de blog evoluíram né? Acho que não teria tanta capacidade de arrumar meu próprio HTML, haha.
Achei interessante que você encerrou um blog e começou outro. Acho que isso é muita maturidade, decidiu construir algo novo e encerrou um ciclo. Às vezes sinto que falta isso em mim, porque sou tão apegada ao meu espaço que não quero me livrar dele, mas tem coisas que foram publicadas anos atrás que não fazem mais parte do que sou hoje. Talvez eu repense um pouco sobre essas questões.
Mas adorei seu blog e fico feliz por estar conhecendo tanta gente incrível na internet. Estou me sentindo como antes, quando comecei o blog. Tanta lugar bom para visitar, como você citou, o blog é uma sala de estar e ficou feliz por estar visitando tantas! Me sinto acolhida. ❤
Sim, é um movimento muito gratificante esse.
Mas qual é o seu blog? Mostra aqui depois.