Notas diárias para não enferrujar os dedos. Aquela conversa rápida na sala do cafezinho. Um blog dentro de outro blog. É aqui onde nascem os posts.
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[07.05.2025 – quarta]
20:04 – Há exatos 11 anos, caí por acaso neste vídeo e fui fisgado na hora. Era o som hipnótico do Bomba Estéreo, com sua cumbia psicodélica cheia de groove e energia bruta.
Como se o algoritmo tivesse bola de cristal (ou pacto com o destino), descobri que eles iam tocar de graça na Virada Cultural, naquele mesmo dia, às 2h da manhã, no palco da Barão de Limeira. Coincidência? Prefiro chamar de alinhamento cósmico dançante.
Me dispus a ir. Madrugada fria, 14 graus no termômetro e eu cruzando o centro de São Paulo repleto de gente bêbada e inconsciente, como se estivesse indo encontrar uma revelação.
E foi.
Aquele show virou ritual: luzes estouradas, batidas aceleradas, a voz da Li Saumet hipnotizando a plateia como uma feiticeira tropical. Que lindo.
A vida sempre me ofereceu momentos inesquecíveis. Ela sempre dá um jeito de me retribuir, apesar das lapadas.
E El Alma y el Cuerpo só me lembra erva, digo, coisa boa… 🥸
E antes que eu me esqueça e adicionando mais uma data importante no calendário, o Google Photos me lembrou que fazem 3 anos que me deparei com o famoso cartaz da Detetive Aline, em Porto Alegre.

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10:30 – Acordei feito escombro, alma em cacos, ânimo em silêncio. Ainda assim, arrastei meus ossos até o ringue. Há uma estranha alquimia nos golpes: o corpo se despedaça, mas a mente se recompõe.
Volto exausto, mas inteiro.

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[06.05.2025 – terça]
17:09 – Ah, a falta de criatividade, essa visitante safada e inconveniente que chega sem ser chamado e ainda faz questão de deitar no sofá da alma com os pés sujos e a arrogância de quem acha que vai ficar para sempre.
Você acorda, respira fundo, abre o caderno com a esperança de um milagre e… nada. Nem uma metáfora descente. Nem uma piada sem graça. Nem aquela frase que começa torta, mas termina genial.
Só o silêncio constrangedor entre a mente e a página em branco. O cérebro, aliás, parece um escritório em horário de almoço: luzes acesas, cadeiras girando, mas ninguém de fato trabalhando.
E aí vêm os conselhos: “Vai dar uma volta”, “Inspira, expira, não pira”, “Medita”. Tudo muito útil, se você estiver tentando se tornar um monge budista frustrado.
Então deixa. Deixa o vazio respirar. Dá um rolezinho pela sua casa. Não se briga com o bloqueio, se oferece um chá, chama para curtir um filme ruim, dar uns amassos nesse miserável não-sexy.
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16:34 – Definitivamente, achar que a criatividade surge só porque você está sentado diante de um computador é como acreditar que sentar no volante transforma alguém em piloto de Fórmula 1. O máximo que acontece é você abrir 27 abas, assistir a um vídeo sobre como dobrar camisetas em 3 segundos e terminar convencido de que precisa reorganizar a gaveta de meias antes de escrever qualquer coisa.
Criatividade não atende ao chamado de uma notificação, ela foge dele. Ela precisa de rua, de gente maluca com boas histórias, de silêncio barulhento e barulho que faz pensar. Quem tenta criar encarando uma tela em branco esperando milagre deveria ao menos acender uma vela ou abrir uma janela.
Porque o Wi-Fi até conecta, mas a inspiração está offline.
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15:59 – A sensação de que o tempo está passando rápido demais é prima legítima daquela voz interior que sussurra: “talvez você devesse estar milionário, trincado e bilíngue aos 30”. E aí você pisca e já está nos 40, com uma lista de metas não cumpridas e uma coleção invejável de dores no corpo. Parabéns: você é humano.
Ficar para trás, aliás, é o novo normal. A diferença é que uns postam sobre isso com filtros maneiros e outros fingem que adoram a corrida enquanto correm no sentido oposto com a dignidade desmaiando no ombro.
E não, não há magia. Nem banho de sal grosso, nem mantra, nem newsletter motivacional com título em caixa alta e emoji de foguinho. O que existe é essa náusea bem alinhada chamada vida adulta, que a gente usufrui com a mesma destreza de quem monta um móvel sueco sem manual.
Mas respira. Porque não é sobre correr, e sim sobre ser o tipo de pessoa que observa o caos passar com um café na mão, um sorriso no rosto e uma ironia afiada na língua. E isso, meu bem, já é um feitiço que muito mago não segura.
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[05.05.2025 – segunda]
10:08 – Todas as vezes que acho um bom barbeiro, ele some no mapa. Ou eu sumo do dele. Mas cansei de ser refém da navalha alheia. Agora sou meu próprio esteta capilar. De longe? Um primor. De perto? Um c*c*!
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[03.05.2025 – sexta]
13:40 – The Studio | The Pediatric Oncologist
Uma divertida discussão sobre cinema como arte, até mesmo os blockbusters.
O Matt é bem idiota e estúpido, mas eu o entendo demais. O episódio também mostrou, bem de leve, uma certa solidão em sua vida.
A gente pensa que aquela pessoa é AQUELA PESSOA, mas não. Ela é tão comum e irritante quanto qualquer outra. É só a gente projetando nossos vazios nos outros.
Não por acaso, encerra com esse soco no estômago.
Billie Holiday – It Had To Be You
For nobody else gave me a thrill With all your faults,
I love you still It had to be you, wonderful you
t had to be you
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[02.05.2025 – sexta]
19:40 – Fiquei encantado por essa imagem em um site de cultura pop vintage e acabei mergulhando na curiosidade sobre o filme. Trata-se de Safe in Hell (1931), a história intensa de uma mulher que, após matar acidentalmente o homem que a estuprou e a forçou à prostituição, foge para uma ilha no Caribe. Lá, enquanto espera pelo noivo, precisa lidar com a ameaça constante de um chefe de polícia local, tão opressor quanto seu passado.
Pesado, hein?
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15:35 – Às vezes, cansa publicar nas redes. Ficar dizendo “olha aqui, olha eu”, como se fosse preciso subir num banquinho toda vez para existir.
A verdade é que eu escrevo melhor quando não preciso anunciar que escrevi. E, de um tempo pra cá, a maioria que chega ao blog vem pelo Google, digitando perguntas, escavando palavras, tropeçando em algo que eu disse sem fazer alarde.
Tem certa poesia nisso: ser encontrado por quem procura, não por quem apenas scrolla a tela.
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00:49 – Insônia. Exatamente o quê estou esperando?
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[01.05.2025 – quinta]
23:24 – Algumas situações desafiam a lógica (e a paciência). ‘Your Friends & Neighbors’ talvez nunca ganhe o título de obra-prima, mas cumpre o papel de ser suficientemente boa para não desligar antes do episódio acabar. Fora que eu suspeito que toda a série seja um grande merchan de relógios de luxo. https://tvtime.com/r/3aO3W

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21:09 – O famoso episódio do Burrito 😂. https://tvtime.com/r/3aMWu
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20:59 – Criei uma pasta no Inoreader reunindo todas as minhas redes sociais (com exceção do Instagram). A partir dela, consigo acompanhar em tempo real tudo o que publico por aí: de check-ins no Goodreads e Letterboxd a atualizações no TV Time.
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17:00 – Estava aqui tranquilo no quarto, neste dia nublado, quando essa luzinha bonita do Sol apareceu fracaquinha, dando um alô, pegando bem na metade do rosto.
Usarei como nova foto do Sobre!
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15:51 – Maio sempre chega dando de brinde um feriado. E neste ano caprichou: em uma quinta-feira.
E com ele retomo os registros do cotidiano. Em abril, não houve atualizações, pois estive de folga. Necessário.
Agora, com a cabeça de volta ao eixo (ou quase), estou com os dedos nervosos e novamente em movimento.
Aqui é um post fixo, mas como um Lifestreaming: todos os dias atualizo, documentando e compartilhando, de maneira contínua, fragmentos da minha vida, pensamentos, descobertas e experiências, em uma linha do tempo cronológica, do mais recente ao mais antigo.
Tudo isso, em algum momento (ou não), vira post aí fora no blog. Um caderno de anotações públicas, do trivial ao relevante.
É um descarrego, já que tenho certa inclinação ao exagero de consumir de tudo um pouco dentro da cultura pop, literária e musical. É uma maneira de desopilar o interno, além de minha natural vontade de dar pitaco em tudo.
Pode até parecer que eu me mostro demais, mas não é verdade. Minha vida pessoal permanece rica em personagens, atravessada por cenas únicas, cheia de enredos maravilhosos que escolho não publicar. O que deixo transparecer é apenas o topo de um imenso, profundo e denso iceberg.
O resto caminha comigo pelas ruas, fachadas descascadas e cafés que conhecem meu nome. Fica no bolso da jaqueta, junto das chaves, dos fones perdidos na mochila e das palavras que preferi guardar.
Porque nem tudo vira crônica.
Algumas coisas preferem seguir em silêncio, respirando fundo entre um parágrafo e outro da cidade.
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gosto do inoreader porque me permite acompanhar os blogs que gosto mesmo que eu só vá ter tempo pra apreciá-los de fato de tempo em tempo. acho que por isso também ainda gosto tanto dos blogs. a vida de todo mundo vai acontecendo no seu tempo e o que é compartilhado acontece quando rola acontecer. sem aquela correria exigida pelos algoritmos e a coisa toda.
ia divagar mais sobre o teu post mas perdi a linha de raciocínio quando o excetíssimo aqui olhou a tela de relance e largou um QUE? ao ler a chamada-título do teu post anterior logo abaixo da caixa de comentários: como arrastar um corpo congelado sem perder a pose
HAHAHAHAHA aiai bom demais
Sim, eu sou consumidor de feedreaders, daqueles raiz, desde a época do finado Google Reader, que permitia até stalkear os feeds alheios. Meu amor por blogs vem daí: troca humana, sem algoritmo metendo a fuça.
E sim, confesso: escrevo aqui nas madrugadas de sábado, geralmente depois de umas IPAs bem fortes. No domingo, vejo o estrago. Leio de novo e penso: meu Deus, que porra é essa? Hahahaha. Apesar do título ser um click bait sem querer, avisa a ele que é tudo metáfora, viu? (acho que vc já avisou hehehe)
Uma alegoria sobre a rotina e as rasteiras da vida. Porque a vida é louca, mas nóis é mais louco ainda.
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