Broadstairs, Morelli’s Cappuccino Bar. Kent. England. GB. 1986. © Martin Parr
Dias em que não há tempo de criar ou consumir algo. Sugado pela vida e seus afazeres. O trabalho, que comecei em outubro, me satisfaz, mas ando sendo drenado por uma equipe de pessoas jovens e incrivelmente tóxicas, que simplesmente não aceitam uma pessoa nova no time.
É desesperador não ter com quem conversar ou trocar uma ideia legal durante todo o dia. O motivo de serem assim comigo não vou desfiar porque não vale o esforço. Não pretendo praguejar. Há dezenas de outros motivos para seguir meu caminho em paz. Não vou me defender.
Tenho temas pertinentes para tratar aqui, todos vividos de verdade na vida real fora das telas, mas preciso de um tempo para consumir outros textos e daí produzir. É que sou bem estranho em relação a minha intelectualidade. Parece que, se passo uns 10 dias sem ler, fico vazio e burro, não consigo escrever uma linha com o mínimo de segurança.
Talvez demore um pouco para voltar ao normal. Uma semana? Quinze dias? Um mês? Preciso correr sozinho por um caminho. Não gosto de me comparar, de disputas ou jogos. Desde a infância, qualquer tipo de disputa me dava preguiça. Em equipe, sempre preferi brincar de cientista maluco, desbravar quintais ou cavar tesouros arqueológicos quando as ruas ainda eram pura terra e sem asfalto.
Nunca precisei provar algo ou quis ser querido. Não faço o esforço. Tenho plena consciência do que eu sou e de quais tipos de pessoas quero por perto. Quem gosta e me conhece, sabe o quanto sou humano. Se alguém tem uma dificuldade e pede minha ajuda, minha generosidade vai aos extremos. Jamais cobrei nada. Nem dinheiro, nem afeto e nem gratidão. Faço pelo prazer de fazer.
Um dos livros que caíram em minhas mãos quando comecei a ler de verdade foi Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas. Achei péssimo. Bajular um imbecil cabeça dura? Me moldar a um estúpido desprezível que se acha com o pensamento equivocado de que todo mundo tem algo a ensinar? Passo. Não quero fazer amigos. Amigos não se fazem. Amigos, como dizia Arthur Schopenhauer, são almas afins que de longe se saúdam.
Zero esforço, zero bajulação. Só o gostar daquela criatura sem razão. Apenas o Você é meu e o boi não lambe.
Posso estar errado? Claro, não sou dono de razão alguma.
Mas uma coisa tenho certeza: amigos não se fabricam com técnicas de vendedor. Simplesmente aparecem e, por um milagre curioso, resolvem gostar da gente, apesar de sermos quem somos.
Descubra mais sobre ::: DENIAC E SUA VIDA LOW-TECH :::
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
é isso! e a sensação que eu tenho é que quanto mais o tempo passa, mais envelhecemos, amadurecemos, enfim, menos paciência a gente tem pra lidar com interpretações alheias hahahaha graças aos deus 😂 imagina a essa altura do campeonato ter que sair atrás das pessoas OPA AMIGO CALMA VC ENTENDEU ERRADO no thank u, passo
Exatamente. Como diria o mestre, “Segue teu caminho, ainda que ele te conduza ao próprio abismo; não será de mim que partirá qualquer gesto para te deter.” hahahaah