Me conheço melhor a cada fim de semana que deixo ser absorvido pela entopercência cremosa.
Mas sou sempre muito responsável. Fico ali no lusco-fusco da sobriedade e delírio. Nem demais, nem demenos. Tinha a frase sonora que eu gostava e me orgulhava de ter criado quando jovem nos anos 90 ao perceber a sensação pela primeira vez:
Qualquer extremo estraga!
(Claro que a sonoridade fica melhor na prosódia do português de Portugal que influenciou o nordeste/norte ou da porra do Rio de Janeiro.)
Ouvi dizer que isso se dá porque o enxame de pensamentos baixa e foca-se no que importa, sem a sombra dos julgamentos que a mente acha que está recebendo do mundo. Você se vê por completo e entende questões que pareciam instransponíveis.
Sim, é possível alcançar o fenômeno fazendo qualquer meditação básica, mas não tem como ter a mesma carga sensorial de dois espumantes, 3 cervejas e um filme maluco B.
“Ah, mas que estado é esse que está se referindo? Me dê referências!”
Vicent Vega dirigindo tranquilo, em Pulp Fiction.
Charlie Sheen xavecando a irmã de Ferris Bueller na delegacia, em Curtindo a Vida Adoidado.
Miles Raymond tocando em um cacho de uvas, em Sideways.
Bob Harris olhando Charlotte cantar num típico karaokê de Tóquio, em Lost In Translation.
:::
No meio-termo a vida revela seu sabor mais interessante.
Faz tanto tempo que não me sinto assim que já nem lembro como é. Lembro dos extremos, mas dessa dosinha suficiente controlada… hahaha
Talvez eu esteja precisando exatamente disso.
https://nyrtais.blogspot.com/