Faltam 4 anos para os meus 50. Dentro de mim, iniciou-se uma contagem regressiva estranha, um tic-tac silencioso. Ouço Everything Counts, do Depeche Mode: “The grabbing hands grab all they can, everything counts in large amounts”.
Chegou o momento de assumir uma jovial e frugal velhice, de carregar no peito a bandeira do tempo e aceitá-lo como um amigo que decidiu ficar para o café.
A canção me dá um insight, é isso que o tempo faz: vai roubando pedaços, pouco a pouco, mas, ao mesmo tempo, devolvendo algo em troca, uma compreensão mais profunda de quem somos e do que realmente vale o esforço.
Não são os números no calendário que define, mas a intensidade com que escolhemos viver o que nos resta.
Os instantes não são mais como areia escoando entre os dedos. Qualquer acontecimento é digno de respeito, um tesouro delicado, para guardar com cuidado nas lembranças que logo vão se diluir.
Sim, início a contagem regressiva, não para sinalizar um fim, mas para indicar um novo início.
É uma estrada estranha, feita de trilhas mais sinuosas e árvores desconhecidas. Rugas como mapas, cabelos brancos como testemunhas silenciosas do vivido.
Assumo o meu entardecer, mas não como um peso. É hora de vestir esses anos como quem veste um casaco elegante em um dia frio. Por dentro, ainda sou eu.
O tempo não está me cobrando nada. Ele apenas ensina a dançar conforme sua música, encontrando novos passos.
A contagem vai continuar, sempre silenciosa, mas não há temor. Cada segundo conta. Até este exato momento em que seus olhos cansados de vida e de amor (ou a falta destes) deslizam por estas linhas. É quando nossas almas roçam em um instante. Porque tudo é infinitamente bonito e precioso.
É sobre descobrir novos jeitos de ser quem sempre fui. Sim, envelheço. E não, eu não me importo. O segredo é deixar-se soltar no tempo.
Tudo é vantagem.
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