Tenho que parar com essa preocupação de tratar isso aqui como a coisa mais preciosa do mundo. Mas é difícil fazer o cérebro entender que é só um escape. Aquele lugar para derramar acontecimentos simplórios do dia.
Digo isso porque a minha mente inventa motivos para não fazer textos, numa busca por uma perfeição impossível.
Kill Your Darlings!
Também tenho que me organizar melhor em relação aos assuntos que vou tratar aqui. Meu corpo quer sempre fazer no instante presente, sob a pressão do tempo, do momento. Por isso os textos saem com erros diversos e sempre parecem amadores.
Dito isso, três pequenos itens que gostaria de tratar:
Primeiro: Como preciso muito de me expressar, criei um post fixo em que estarei sempre atualizando, uma espécie de microblog mesmo. O nome, Status Cafe, faz referência a uma ferramentinha web para colar em blogs e atualizar informações, algo próximo ao Twitter mesmo. A questão é que o WordPress só permite utilizar esses add ons em planos pagos, o que acho uma grandíssima sacanagem. Mas ok. Fiz essa gambiarra e está dando certo. Foi uma forma que encontrei para me manter sempre escrevendo e criando, com ideias rápidas, anotações públicas, posts seminais que vão desembocar em uma crônica ou resenha. Também é uma maneira de não ficar em redes sociais e ter total controle das minhas produções.
Segundo: Lêlê veio conhecer meu guri e a casa nova. Então ela entrou aqui no meu “Cubículo de bitácoras e alfarrábios”. Ao ver um jornal do dia sobre a mesa, pegou de pronto, levou ao nariz, cheirou forte e disse: “Que delícia!”. Rimos muito. Só gente rara para sacar o que é isso.
Terceiro: Fui na livraria da Vila do Shopping Higienópolis só para ser surpreendido pelo acaso, sem querer comprar absolutamente nada e eis que algo fora do comum aconteceu: um vendedor simpático simplesmente me abordou perguntando “Posso indicar um bom livro?” Eu disse “Hum, me surpreenda”. Daí ele começou: “Este é o ‘A mais recôndita memória dos homens’, obra do autor senegalês Mohamed Mbougar Sarr, que recebeu o prestigiado Prêmio Goncourt. É uma narrativa de formação e aventura que celebra a literatura e explora temas como a memória, a identidade e o confronto entre a África e o Ocidente.
É interessante por sua inventividade e por abordar a escolha entre a escrita e a vida, além de questionar a necessidade da criação artística a partir do exílio. É uma reflexão sobre a importância da criação literária e a beleza da literatura.
É uma oportunidade de VOCÊ se conectar com uma narrativa rica e multifacetada que transcende fronteiras e tempos, oferecendo uma experiência literária profunda.
Na real, o Chico leu, achou fantástico, fez um comentário e virou sucesso aqui por isso”.
“Caramba. E se Chico falou, tá falado, né?”
“Com certeza!”
Deixou o livro na minha mão e sumiu. Fiquei lendo capa, contra capa, as primeiras palavras do primeiro capítulo, fui me engalfinhando por ele e, finalmente, fui pego por isso aqui:

É como um diário, e já saquei uma estética inovadora: metalinguagem, intertextualidade, diferentes vozes narrativas. E tudo isso escrito de um modo muito envolvente.
Fui atrás do vendedor para parabenizá-lo porque realmente ele conseguiu me fazer coçar a carteira. Francisco era o seu nome. E só mesmo o capeta para soprar em seus ouvidos que eu precisava ler algo para me incentivar e dar novo fôlego na caminhada pela escrita.
Escrever é muito mais do que a busca incessante por textos impecáveis. É sobre aceitar a imperfeição como parte do processo. É um escape, sim, mas um escape que nos conduz à autodescoberta e ao crescimento constante.
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