Acumulei alguns jornais neste mês. Muito trabalho e afazeres. E terminar o dia lendo notícias não é nada prazeroso. Mas sem problemas, estou tirando o atraso aos poucos.
Daí caí nesta reportagem da Folha do dia 3 de agosto, com o tema “O futuro da nostalgia“, sobre como alguns ícones da cultura pop e moda vão e vem, nessa eterna gangorra do “espírito do tempo” e que, se você souber manejar, vai se dar bem em qualquer negócio e investimento.

Alguns pontos interessantes que encontrei (ou roubei?) do conteúdo são ótimos. Veja como assunto puxa assunto:
::: O nome da matéria, “O futuro da nostalgia”, faz referência ao ensaio “The Future of Nostalgia”, da escritora e professora de Literatura Eslava e Comparada em Harvard, Svetlana Boym.
A obra explora a relação entre a nostalgia e a modernidade, abordando temas como a cultura popular, memória e futuro. A autora examina como a nostalgia pode ser usada como uma ferramenta para lidar com as mudanças sociais e políticas, e como ela pode ser um meio de resistência contra a homogeneização cultural.
É uma leitura importante para aqueles que estão interessados em filosofia, sociologia e cultura contemporânea. Este perfil no Medium traduziu e publicou os melhores pontos, dando um sintése da publicação. Por lá, também descobri que o diretor de cinema Kléber Mendonça Filho leu o livro para o roteiro de Aquarius.

::: O historiador de moda inglês James Laver (1899-1975), autor do clássico “A Roupa e a Moda: uma História Concisa“, criou uma tabela curiosa para ilustrar o tipo de reação que as pessoas têm em relação ao tempo que a separam da criação de uma peça de roupa.
1 – Um ano depois de ser lançada, a roupa está fora de moda.
2 – Dez anos depois, será considerada medonha.
3 – Após 20 anos, será ridícula.
3 – A redenção começa com 30 anos, quando é vista como divertida.
4 – Cem anos depois de ser lançada, a roupa vira romântica
5 – 150 anos depois, linda.
A tabela também projeta o futuro:
1 – Uma roupa que será considerada o máximo em um dado momento, se for usada um ano antes de seu tempo, então, será vista como ousada.
2 – Se isso acontecer cinco anos antes, a peça será tachada de desavergonhada.
3 – Dez anos antes? Indecente.

O livro de Laver, que, aliás, nunca saiu de moda, conta a história da evolução das vestimentas desde a criação da primeira agulha, 40 mil anos atrás. Mas para na metade dos anos 1930, já que o livro foi publicado em 1937 (no Brasil, foi lançado em 1989 pela editora Companhia das Letras).
Daí, eu, um “coolhunter” super amador, já quero essa pérola em minha básica biblioteca sobre o tema.
E é justamente essa consciência das influências do passado e das correntes atuais que moldam o panorama futuro que vai nos fazer profissionais completos e eficazes em nossos campos de atuação, independente da área.
É como alicerçar nossa criatividade e visão nas fundações sólidas do conhecimento, permitindo-nos navegar pelos ventos da mudança com destreza e adaptabilidade.
E para quem, como eu, trabalha com conteúdo e comunicação, é ainda mais necessário entender como as coisas funcionam, principalmente no que diz respeito às pessoas, aos seus interesses, as tendências mesmo.
Você pode até não querer estar na moda, usar uma trend em suas redes ou cantar/dançar a música do momento. Mas sim, você precisa saber ao menos que elas existem. Referência, referência e referência. Nunca é demais. Nunca saberemos quando vamos precisar delas.
P.S
Lembrei da letra de “Delay”, da banda experimental XDS, que trazia esses temas em suas letras.
O refrão “Tudo que novo eu no eu não sei dançar” sintetiza tudo!
Dentro do meu peito de vinil
Toca um sucesso do passado
Acerto passo
Eu não me acho
Preciso me
Reprogramar
Tento me lembrar que no vivi
Agora tenho que me libertar
A noite longa
Eu não me acho
Preciso me
reprogramar
Tenho um mundo novo para descobrir
Antes da idade me aniquilar
A vida curta
Eu não me acho
Preciso me
reprogramar
Todos olham diferente para mim
Perguntam sempre onde fui parar
Sou desligado
Eu não me acho
Preciso me
reprogramar
Tudo que novo eu no eu não sei dançar (2X)
1,2,3,4 + refrão
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