Estou em uma fase ótima, embedado em uma preguiça de tudo, inclusive em alimentar meu querido diário com pernas escancaradas para todos verem, em meu recesso de fim de ano, suando miseravelmente, massacrado pelo calor sem precedentes de Teresina, Piauí, que sem piadas preconceituosas e xenofóbicas, é sim algo próximo ao que seria o inferno, caso o mito realmente existisse.
Se você me acompanha por aqui ou me conhece pessoalmente, já sentiu o cheirinho ácido do meu humor cínico e sem graça, porque realmente fico excessivamente cagado de raiva com calores excessivos e muitas pessoas em uma casa. Eventos de final de ano, eventos de família, eventos em que a bateria social se esvai em segundos.
Era para ter feito mais esse ano. Escrito mais. Reclamado mais sobre o grande sopro escrotal pós-pandemia e irritante dos Tiny Desks, principalmente os brasileiros.
Era para ter mandado mais pessoas tomarem em seus devidos cus dizendo que sou velho rabugento, ao passo que eu responderia não nasci nos anos 20 mas conheço os filmes do Charles Chaplin, meu anjo bom com cara de merda. Não tenho culpa se você só ouve apenas o que está em voga, playlists montadas no Spotify, trilhas de filmes e séries adolescentes, abrindo com as duas mãos suas nádegas para que a indústria cultural enfie tudo o que ela quiser no seu Zé de Obrar.
Era para ter falado mais besteira. Criticado mais a música pop bosta que mijam em nossos ouvidos todos os dias e o monte de gente estúpida que acha incrível porque não possuem um risco de referência, uma vontade de pesquisa, de ir além, de ter o mínnimo de repertório para ouvir algo e dizer “porra, isso parece uma cópia da cópia da cópia”.
O que dá raiva não é nem você chupar com gosto a indústria cultural, isso é problema seu e tu faz o que quiser com tua boquinha de algodão. Mas posar de rebelde, posar de antenado, como se tivesse feito uma descoberta, quando na verdade está recebendo dos céus, dos algoritmos, tudo devidamente embalado, programado, na hora certa, em uma cauda longa de eventos que te faz consumir todas as possibilidades de um produto, isso é estúpido demais.
Daí vão dizer, minha nossa, que cara insuportável. Sou mesmo. Mas pelo menos tenho casa própria (este site hahahaha) para falar aqui tranquilamente e não encher o saco de ninguém em rede social.
Eu devia sim, ter sido mais grosso com as pessoas em 2025, porque elas são comigo e eu fico feito um filho de uma rapariga sem mãe ouvindo tudo calado como se fosse um budista prestes a alcançar a iluminação, mas que, na realidade, maquina na mente uma forma eficaz de descer a madeira na cara dos infelizes, tudo porque eu não quero perder o emprego, deixar de pagar os meus streamings, minhas cervejas e os bonecos do meu moleque.
Maldito capitalismo do caralho. Foda-se 2025, 2026 e todos vocês que insistem em transformar suas vidas em produto.
Eu não sou legal. Pelo menos por dentro.
Amanhã tem mais.
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nossas crianças nem sabem mas já fazem a gente TENTAR evitar demissão por justa causa no trabalho
(ser legal dai já é demais, equilíbrio)