Youth at an all-night rave party. Hong Kong, China, 2000. Chien-Chi Chang
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Essa vem direto de 2002.
Um dia acordei cedo e ela passava na MTV. Pão com ovo e café misturando-se na boca. Aquele silêncio mágico e pálido das 7h da manhã. O céu azulzinho dizendo como iria ser o dia.
Ali, naquele momento único, eu estava aprendendo a teoria pouco explorada pela ciência, mas muito praticada em lugares noturnos, sobre a essa capacidade humana de fazer algo sem mover um músculo.
A alquimia ordinária que transforma um olhar em isqueiro.
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Enquanto gastamos anos decorando fórmulas e datas históricas, essa ciência exata do olhar se desenvolve sozinha, no escuro das salas de cinema, no acaso dos metrôs lotados, naquele segundo a mais que os olhos ficam grudados antes de desviar.
Segundos, segundos…Negócio mínimo, coisinha pouca.
Física quântica do desejo: observar já é transformar, imaginar já é tocar. Pensar em algo já é uma forma de possuí-lo.
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“Então me dê uma luz,
ou me dê uma bebida,
apenas me dê uma razão para sentir o que eu penso“.
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Toda a humanidade está aqui, despindo mentalmente uns aos outros, mas precisando de desculpas, de pretextos, de cigarros e drinques para justificar.
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Já estávamos conectados antes de tudo. O corpo só confirma o que a mente já sabia.
Mas ainda assim a versão analógica, a comprovação empírica, o que não cabe na imaginação por mais fértil que ela seja, sempre supera.
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Você sabe. Todo mundo sabe. A gente finge que não sabe porque queremos estar preenchidos por histórias e significados que justifiquem por que estamos ali, naquele exato momento, escolhendo aquela possibilidade entre todas as outras.
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Desejo sem narrativa é apenas fome.
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