Gostar de alguém é um fenômeno estranho. Se formos racionais e seguirmos a lógica e correta análise psicológica, dá para dizer que encontramos nos outros fragmentos de nós mesmos. Até a Bíblia já confirmou isso: ame o outro como a ti mesmo.
Só que toda explicação é menos importante que o encanto.
É assim com Sylvia Plath, por exemplo. Minha admiração começou pela escrita: confessional, afiada, brutalmente bela. Depois, pela vida comum, feita de maternidade, rotina e um cotidiano que contrasta com a intensidade dos poemas.
Mas há este detalhe: eu gosto do rosto e não sei os motivos.
A face de Plath era um paradoxo. Beleza clássica, delicada, quase angelical, com algo perturbador. Seus olhos castanhos/claros/verdes transmitiam doçura e, ao mesmo tempo, uma melancolia inevitável.
O meio sorriso sugeria tanto charme quanto segredo. Um rosto que carregava presságios: juventude luminosa, intensidade sombria.
Acho que artistas como Hadi Karimi resumem essa curiosidade: recriam personalidades como Plath digitalmente em 3D, usando ferramentas como ZBrush, Substance Painter, Maya e Arnold, para tentar chegar em uma conclusão impossível.
A tecnologia alcança um realismo impressionante, mas não toca o que realmente nos prende: o mistério.
Porque gostar de alguém (de uma figura literária, de um rosto, de uma voz) é sempre um ato de entrega. Não se explica, não se calcula.
É apenas se lançar de olhos fechados no precipício do amor cego e do fascínio.
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Sylvia Plath por Hadi Karimi.





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