Notas diárias para não enferrujar os dedos. Aquela conversa rápida na sala do cafezinho. Um blog dentro de outro blog. É aqui onde nascem os posts.
[23.03.2025 – sábado]
21:26 – Dias de praia para refrigerar a alma. Sempre bom sair da urbe e perder-se no ruído brando das ondas e dilatação da mente com uma quantidade significativa de cervejas.
Mais cedo, eu blueskyiei (existe outro termo como tuitei atualmente?): “Desça à praia! Permita que Iemanjá e Netuno disputem amigavelmente quem melhor dissolverá seus infortúnios e urucubacas”.
Daí percebi um negócio:
Ando publicando fotos e não me reconheço. Não que isso seja novidade: meu relacionamento com o espelho sempre foi do tipo “é complicado”… Mas nos últimos dois anos, minha carreira como pessoa invisível decolou.
Pensei que era apenas meu lado discreto emergindo: “Sou low-profile. Sofisticado. Misterioso.” Mentira descarada!
A verdade? Estou me deixando levar pelos algoritmos da beleza. Aparentemente, existe uma fila para entrar no clube dos “padrões aceitáveis” e meu nome não está na lista. Como é que a gente iria adivinhar que a sociedade transformaria o ato de mostrar a própria cara em um esporte competitivo?
É hora de parar com essa palhaçada. Se eu quiser ser um eremita digital, que seja por escolha própria, não porque algum júri invisível decidiu que meu rosto não merece espaço na timeline.
E se você decidiu se esconder, porra, massa também. Mas faça pelos motivos certos. O melhor filtro sempre será a autenticidade.
Se estou aqui é porque estou sobrevivendo aos infortúnios da vida desde 1978.
É meu modo de aceitar a sorte de começar envelhecer.
:::
[11.03.2025 – terça]
11:46 – Máquinas de socar fascistas. 🥊
:::
[11.03.2025 – terça]
21:09 – Esta canção tem uma letra tão boba, tão pueril, mas é tão especial! Tive o prazer de vê-los ao vivo em 2012.
Apesar de ser de uma safra mais nova do shoegaze, conseguem criar suas músicas dentro do espectro ruído de ninar, o tão famoso estilo que parece um chocolate fino e apetitoso por fora, mas repleto de vespas enraivecidas por dentro.
Dá vontade de ser moleque de novo, de chegar para a cremosa e mandar:
“Do you want be my special someone?
Can you show me colors that no one knows?
Why did you run when I turned your eyes around?
Got a crush on you, what can I do?
I want you to send me a postcard from the rainbow…”
:::
14:41 – Marconi Notaro foi um poeta e músico pernambucano, conhecido por sua contribuição à cena psicodélica nordestina dos anos 1970. Integrou o movimento Udigrudi, que misturava rock psicodélico, música regional e experimentação. Seu álbum mais conhecido, No Sub Reino dos Metazoários (1973), contou com a participação de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sendo um dos discos mais raros/caros e cultuados da música brasileira. Sua obra transita entre o lirismo poético e a fusão de ritmos nordestinos com o progressivo e o psicodélico.
E essa pedrada aqui não é apenas uma música, mas dor cristalizada, transformada em som bruto. Como dizem na terrinha, “é para deixar o chifre molinho, molinho”!
Vou partir pra outra você…
:::
14:13 – Se quisermos entender melhor o que as pessoas pensam, precisamos olhar menos para o que elas postam – e mais para o que elas procuram.
:::
09:20 – SOLARPUNK: O que é e por que é tão ESCASSO na FICÇÃO CIENTÍFICA?
Eu sei responder essa rapidinho. Alias, eu tenho 3 opções. Escolha a que mais lhe apetecer:
a) Utopias exigem imaginação, distopias, mera repetição do caos.
b) Em tempos sombrios, a utopia é um ato de resistência. A distopia, um atestado de rendição.
c) Criar um mundo bom dá trabalho. Destruir? Ah, isso qualquer um faz.
E outra: ousado que sou, já fiz até um artiguinho malandro sobre o tema.
Agora, vai nos comentários e contemple virjões, digo, varões destilando mel.
:::
[10.03.2025 – segunda]
17:26 – Isso aqui é MeiaLuzParaAqueleEsquemaManeiro até umas horas. Você põe como se nada estivesse acontecendo. Daí é só magia seguindo o seu curso.
:::
17:19 – Baixei Anora e Emília Perez. Verei com os olhos não enviesados de um cidadão nascido e criado na cidade de Helgafellssveit, localizada na região Oeste (Vesturland), da Isslândia, com 64 habitantes.
:::
[09.03.2025 – domingo]
23:56 –
:::
[06.03.2025 – quinta]
:::
:::
11:02 –
:::
10:44 –
:::
[05.03.2025 – quarta]
10:33 –
:::
00:00 – Fevereiro foi gentil. Gentil, sim, em sua brevidade. Gentil em seus deleites. Gentil, sobretudo, em sua oferta inesperada de um instante de glória coletiva: um filme nacional finalmente alcançando o resplendor dourado de uma estatueta do Oscar, aquele símbolo tão americano de reconhecimento que tanto desprezamos quanto cobiçamos.
Não que eu me importe com aquela estatueta dourada, entenda bem. É apenas um homenzinho nu segurando uma espada, afinal. Mas admito que chorei, como todos nós. Um choro breve, irônico, mas sincero. O tipo de choro que se permite quando ninguém está olhando, exceto a garrafa de Martini.
Fevereiro foi como um amante daqueles que não fica tempo suficiente para revelar seus defeitos, mas permanece o bastante para deixar uma marca, literalmente. Minha pele, agora com a tonalidade de um camarão servido naqueles restaurantes caros e breguíssimos, é uma testemunha de sua passagem ardente.
“O sol é democrático”, diria algum otimista incorrigível. Democrático como um tirano que distribui igualmente sua opressão, penso eu, enquanto aplico mais uma camada daquela loção pós-sol que promete milagres mas entrega apenas um cheiro de farmácia e uma sensação pegajosa.
E agora, dizem por aí que o ano só começa de verdade após o Carnaval. Que conveniente! Uma desculpa perfeitamente embalada para justificar dois meses de procrastinação existencial. “Feliz Ano Novo”, dizemos em março, como se janeiro e fevereiro tivessem sido apenas um ensaio geral, um rascunho descartável do ano.
Bom, se é assim, aceito a premissa. Feliz Ano Novo, queridos. Que este seja finalmente o ano em que encontremos o amor perfeito, ou pelo menos um que pague sua parte da conta do jantar.
Que seja o ano em que escrevamos aquele romance genial, ou ao menos terminemos de ler os livros empilhados ao lado da cama.
E se nada disso acontecer… Bem, sempre haverá o próximo fevereiro, breve demais para decepcionar completamente, longo o suficiente para nos queimar.
Descubra mais sobre ::: DENIAC E SUA VIDA LOW-TECH :::
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.