Um ritual de pausa, de observação e curadoria. Foto da capa: “The Last Resort”, Martin Parr
09:08 – Vou lançar as notinhas diárias aqui, sempre às 20h (Acho que depois dessa hora ficar mexendo em blog é demais depois de um dia exaustivo). Mas só quando puder e com tempo, não quero me escravizar ou me comprometer. E quando publicar, vai apenas para o blog ou quem me inseriu em algum feed reader. Não vai buzinar na sua caixa de entrada, fique tranquilo/a. Preciso porque estou me perdendo na rotina. Ao distribuir essas notas, organizo o meu Tico e Teco.
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09:21 – No meu trabalho, estávamos sem escritório. O chefe resolveu fechar o anterior, que ficava na Avenida Paulista, para ir à um provisório, em Pinheiros. Estávamos em casa 100% do tempo, o que não significou menos trabalho, lógico. Agora, encontrou um definitivo na Faria Lima. No início, apenas 1 vez por semana, mas acho que depois será mais vezes. O bom é que volto a andar pela rua e observar as pessoas para ter material para as Urbanodramas e fotos para o Vida Pixel.
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09:33 – Por falar em sair e encontrar histórias (em contar histórias?), comprei uma camerinha simples da Kodak e entrei no viciante universo da fotografia de rua analógica. Ainda não acabei os filmes e breve revelo. É muito bom ir ao laboratório, encontrar o pessoal maluco que trabalha lá naquela bagunça deliciosa de máquinas e filmes, pegar umas dicas, sentir o cheiro ácido e químico de revelação. O analógico é realmente mais rico em vida, mas também proporcionalmente caro em dinheiro. Não se engane.
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09:59 – Só agora me dei conta de que ainda estou de pijama, péssimo sinal. Significa que me perdi nas tarefas e pensamentos, de novo. A porra do “flow”. Flow de cu é rola. Então vou pro banho, na tentativa de acordar de vez, com o meu hit pessoal tocando ao fundo. Ele me dá um ânimo estranho: cínico, meio apático, mas suficiente para encarar o dia. Uma esperança vaga de que algo bom aconteça, embora eu não tenha a menor ideia do que exatamente estou esperando. Não posso esquecer que todo dia é um milagre e tanto.
‘Cause I’m just waiting on the moment…
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14:23 – Para quem não conhece, essa é a Laufey. Ela vinha cantando (e encantando) no circuito mais exigente do jazz com sua elegância vintage, voz de sussurro e ganhando mais e mais créditos entre os pedantes do gênero. Até que boom, EXPLODIU NO TIKTOK, virando fofura viral, com trends, fãs apaixonados e, sim, dancinhas. Dizem que isso pesou para adicionar uma coreô aqui e ali em seus clipes, embora não haja confirmação oficial. Mas que é ótimo, isso é. Sou chato com as novidades do mainstream, mas acho que devemos dar crédito ao que é realmente interessante.
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14:38 – Apesar de nutrir uma aversão visceral ao universo do stand-up comedy (chato, chato, chato) preciso reconhecer: Greer Barnes é uma exceção. Seu controle do tempo, a economia de palavras, o domínio do espaço cênico, caralhos me mordam, é jazz, meu amigo. Eu me rendo!
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14:50 – Angélica tinha as melhores músicas. Lembro que gostava muito dessa, principalmente a parte do solo de sax. Anos depois, descobri que era uma versão da canção original de Marc Lavoine, lançada em 1989. E o clipe é uma delícia.
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15:20 – Olha que tema interessante encontrei no Substack: um post falando sobre o “The Rise of Mediterranean Summer”, a ascensão de um gênero visual, o verão mediterrâneo. Está em voga um crescente fascínio (no universo da moda e talvez da cultura visual) por ambientes e estéticas inspiradas pela região. A lista começa por Me Chame Pelo Seu Nome, o que faz total sentido, mas acho que esse olhar moderno e pop para o velho mundo começou mesmo (a passos lentos) lá em 1996, com o filme Beleza Roubada.
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16:10 – Por falar em Substack, percebo também um movimento de insatisfação por diversas pessoas. É bom, sim, tem muito conteúdo interessante, mas lá não tem o mesmo clima aqui da blogosfera. O Elial, do Cosmoliko, sintetizou isso em uma notinha muito bem articulada. Até estou criando uma news por lá, de pura galhofa (breve divulgo). Mas nada vai me tirar daqui.
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16:53 – Quinta. Dia de funcional. Deixa eu começar a me preparar aqui.
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19:09 – Braços e pernas ainda trêmulos. O corpo dói, mas a mente flutua em uma piscina de endorfina e dopamina. Transformar vivências em palavras continua sendo uma forma eficaz (e barata) de terapia.
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