Paris by night, 1950 – Philippe Bataillon
Notas diárias lançadas semanalmente. Aquela conversa rápida na sala do cafezinho. Um blog dentro de outro blog. É aqui onde nascem os posts.
[01.07.2025 – terça]
09:00 – Julho chegou apagando a velinha de um bolo que nunca pedi. É o mês do meu aniversário. Mas a data me atravessa com a mesma solenidade de um boleto pago no débito automático. Comemorar a vida deveria ser um rito cotidiano. É apenas um lembrete de que estou ficando velho demais pra me importar. Estar mais perto da morte apenas confirma que estou fazendo isso direito: perdendo e ganhando, um pouco por vez.
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11:00 – Ansioso pelo novo da Petra Costa, diretora indicada ao Oscar por Democracia em Vertigem, um nome que já virou sinônimo de bom documentário. E ela está de volta com um sobre fé e poder no Brasil.
Chama-se Apocalipse nos Trópicos, com produção associada de Brad Pitt (via Plan B). Dessa vez o filme investiga a ascensão do evangelismo e seu impacto na política brasileira nos últimos dez anos.
Estreia na Netflix em 14 de julho.
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22:00 – Há uma crise interna silenciosa em curso. O excesso de trabalho me força a mirar num único ponto, como se focar fosse sinônimo de produzir. Mas, aos poucos, esse foco vira miopia.
Fico raso. As ideias se repetem, a curiosidade se cala e tudo de importante passa batido. O ritmo é brutal: quanto mais entrego, mais me cobram criatividade.
Mas como criar algo novo se não há tempo para olhar o mundo com olhos novos?
Como inventar se não posso me alimentar?
Estou exausto de pensar sempre o mesmo.
E com fome de tudo que deixei de ver.
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[02.07.2025 – quarta]
22:00 – Esta longa e elucidativa reportagem da BBC responde a pergunta do momento: Dá para identificar texto gerado por inteligência artificial? Spoiler alert: Não. Ou não com tanta precisão assim. Vai depender se você lê muito e conhece a pessoa. Aí é batata. E nenhuma ferramenta é capaz de garantir nada 100 por cento.
Vamos ter que atualizar aquela velha frase de Hemingway: escreva bêbado, edite sóbrio, dê aquele tapa final com IA.
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[03.07.2025 – quinta]
14:32 – Eu sou um velho de boné, definitivamente. Assumo isso sem medo. E quando vi este da Dust, na cabeça um moleque no metrô, achei demais, não tardei em adquirir. Uso para me sentir mais esperto. Há há há

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16:10 – Sabe aquelas letras que parecem saídas de um pergaminho antigo, cheias de charme e um toque sombrio? É a blackletter, também conhecida como escrita gótica, e ela está fazendo um retorno triunfal nas telonas!
Recentemente, o designer Cadu Carvalho, em sua newsletter “Tipo Aquilo“, jogou luz sobre como a fonte está sendo redescoberta e reinventada na indústria cinematográfica. Ele analisou cartazes de filmes super recentes, como Saltburn, e mostrou como a escolha dessas fontes góticas está dando um toque único e subversivo à promoção desses longas.
A grande sacada é a necessidade de um design inteligente para que essa tipografia milenar ganhe um ar fresco e contemporâneo. Não é só usar por usar, é preciso adaptá-la, brincar e dar um novo significado para que ela converse com o público de hoje.
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[04.07.2025 – sexta]

18:10 – ♫ Top 5 artists of the Last.week: Satl (4) Kid Cudi (3) ASC (2) dBridge (2) Fred again.. (2). #myweekcounted 94 Scrobbles with Lastfm #music via @lfm_blue
Essa semana foi dedica aos eletrônicos experimentais (com exceção de Kid Cudi). Faz sentido, de acordo com o tema de um trabalho que desenvolvo, ouço estilos musicais que combinem. Assim, se os blips e blops dominaram, a tecnologia tomou conta do meu tempo.
Enfim, segue Top 5 de músicas mais ouvidas na semana:
1 – Alpha | Somewhere not here
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2 – Electric Sparrow | Hope You Don’t Get Famous
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3 – Kid Cudi – Livin’ My Truth
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4 – Pin Ups – Can’t pretend
5 – SadGirl – Little Queenie
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[05.07.2025 – sábado]
15:02 – É errado dizer que estou pouco me fodendo para o retorno do Oásis? Gosto de algumas músicas. Gosto de verdade. Eu estava lá na época quando começaram. Mas só. Estou pouco me fodendo para o Oasis.
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[06.07.2025 – domingo]
12:41 – Podem pensar o que quiserem de mim, mas assisto o Mubi sempre no celular e na cama para dormir. Há obras ali maravilhosamente tediosas. E isso é ótimo.
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18:35 – Antônio Prata.

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Não conhecia Electric Sparrow, curti!
Porra, muito foda. A letra é demais. A menina desejando tudo de ruim pro cara que tá abandonando ela. Sensacional.
fui direto dar play em kid cudi, gostei. joguei no spotify no modo “ir para a rádio da música” que acho genial quando gosto de uma em específico e ele faz um compilado de músicas na mesma vibe. fechou com a energia dessa segunda-feira (8h da mahã, meudeus) e a cabeça balançando animada HAHAHA (um oferecimento férias, obviamente). bom demais!
achei o boné massa demais. fui fuçar o site da dust e achei coisas baaaacanas 🙂↕️
Eu faço o mesmo. É bem melhor que a Weekly Discovery. Essa do Kid Kudi só me lembra Porto Alegre, quando morava lá e dava uns rolezão de bike. Cara, a Dust é muito maneira porque é uma marca de várias pessoas legais, como uma espécie de coletivo. E estão em SC, chega rapidinho pra você.