Quando iniciei este blog há 10 anos, a ideia era revisitar as antigas publicações pessoais do início dos anos 2000, da maneira mais despojada possível. Acho que consegui fazer isso por um longo período, apesar de criar umas editorias para encaixar os diversos pensamentos e assuntos aleatórios que me surgem.
Mas a questão que quero expor é sobre a escrita. De como explodiram textos e blogs nos últimos tempos. Fiquei realmente entusiasmado até descobrir padrões perversos e perceber, com desconforto quase existencial, que eu também me encaixava nesse molde.
O golpe final veio na forma de uma pergunta de uma pessoa do trabalho:
“Você, que usa IA para criar seus conteúdos, me dá umas dicas?”
Isso explodiu minha mente porque, com exceção de umas imagens que crio para ilustrar os posts, não uso IA. Calma, não sou um ludita idiota, muito pelo contrário, mas a ideia aqui era ser um bagulho artesenal, cacete!
Ou seja, se estão pensando isso é porque não estou sendo humano o bastante? Por que gosto de escrever de modo muito bem pensado e organizado? Por evitar gírias e expressões da moda? Não sei. Sei que alguma coisa estou fazendo de errado e me sinto insultado, hahaha.
Isso posto, para me diferenciar da avalanche de IAs, vou mudar radicalmente muitos itens nas próximas publicações. Mais caos, mais imperfeição, elementos crus, não processados, algo que pareça arrancado direto das entranhas.
Além disso, a partir de uma intuição ainda não validada com dados práticos (eufemismo para tirei do cu), acredito que os vídeos pessoais no atual momento dos tempos que seguem, transcendem a mera vaidade exibicionista.
Vídeos, agora, são afirmação autêntica e prova indelével da nossa humanidade vacilante em tempos dominados por entidades digitais cada vez mais indistinguíveis de nós mesmos (Em breve nem isso, já que por enquanto dá para perceber quando é fake. Mas enquanto não acontece, vamos aproveitar o resto de humanidade que a natureza nos deu).
Claro, posso estar errado. Se eu estiver, peço desculpas.
Tudo isso para dizer que o Diário Random #2 já está no ar.
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a energia caótica do desabafo nos primeiros minutos do vídeo, SENSACIONAL.
e no fim é difícil mesmo se desvincular totalmente do fluxo dos padrões. a cota de perfeccionismo cobra o preço. as vezes me pego pensando, gostei disso mesmo porque me atrai, porque quero experimentar etc ou lá vou eu cair em “é isso aqui que tão fazendo agora”. eu prefiro pensar que é curiosidade e no processo vou absorvendo o que faz sentindo pra mim e ignorando o que não faz (mesmo que no embalo tenha testado também).
outra coisa, isso que tu falou de ir registrando em vez de anotar pra depois fazer o compilado me pegou. eu sinto muito isso nos meus resumos mensais. lá se foi um ês, por exemplo, e o que eu realmente lembro daquilo? até que ponto é o que aconteceu e o que eu espero passar naquele dia em específico.
bom que nossos blogs tão ai permitindo que a gente teste e teste, erros e acertos. a coisa toda. ainda bem 🙂
HAHAAH. Eu sou assim no dia a dia. É até engraçado. Desculpa os palavrões. Pois é, tem que anotar/filmar/fotografar alguma coisa todos os dias. Do contrário, perde a essência do acontecimento. Mas não foi eu que inventei, não. Toda descrição é arte. Aprendi isso em um livrinho altamente viciante, chamado How to Make a Journal of your life, do Dan Price ( https://www.youtube.com/watch?v=_Jd9k0INBQo ). Ele te incentiva a criar arte a partir do seu dia a dia, por mais “simples” e “sem graça” que seja. Na visão dele, construir um diário, em áudio, vídeo, escrita ou desenhos (mesmo que não desenhe), é dar significado ao que se vive. É elevar sua existência ao estado da arte. Muito massa. Viva a blogosfera, que nos permite errar com estilo!
quem sou eu pra julgar, sou igualzinha. e mais, se eu fecho a boca, as minhas expressões entregam sem dó toda essa energia ai HAHAHAHA
e fiquei bem curiosa, vou dar uma pesquisada no material do dan price 🙂