Notas diárias para não enferrujar os dedos. Aquela conversa rápida na sala do cafezinho. Um blog dentro de outro blog. É aqui onde nascem os posts.
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[22.06.2025 – domingo]
12:45 – Comecei esse projeto de reler um dos meus autores favoritos, William Gibson. Depois de 20 anos, voltarei a trilogia do Sprawl e depois vou engatar na trilogia Blue Ant.


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09:46 – Estava buscando uma referência interessante para um espécie de newsletter em vídeo que estou bolando. Mais um projeto que inicio mas com certeza não levarei adiante. Ou não. Ou sim.
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09:37 – O fim do mundo não começou com ele, o colapso já era tendência. Ele só deu like.
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[21.06.2025 – sábado]
10:44 – Espantado com a quantidade absurda de temas relacionados a não deixar que a sua luz seja apagada por pessoas estúpidas surgindo em timelines diversas. Ok, universo, saquei a sua.
Sei que tem gente que nunca diz bom dia. Diz: “Que escolha péssima de palavras.” Ou: “Nossa, que básico.” Ou ainda: “Você acredita mesmo nessas coisas?”
Existe um tipo curioso de criatura urbana, com uma expressão permanentemente entediada, para quem tudo é motivo de exaustão performática. Cada pergunta recebida vem acompanhada de um revirar de olhos quase coreografado, como se responder fosse uma violência existencial.
Elas têm preguiça de tudo. De e-mails, de gentilezas, de convenções básicas como ouvir sem interromper ou rir sem ironia. Sentem-se acima do tempo, do bom senso e, especialmente, da necessidade de participar da vida comum.
Essas pessoas não seguem o fluxo, se sentem fora dele. Mas não é uma escolha autêntica. São contra convenções, desde que as convenções sejam previsíveis. Amam quebrar padrões, desde que isso caiba numa boa legenda.
Curiosamente, embora desprezem o “normal”, reproduzem com zelo quase religioso os códigos de sua própria tribo: odeiam o brunch, mas têm recomendações de cafés secretos no Brooklyn, rejeitam patriotismos, mas nunca pisaram fora do seu eixo geográfico. Vestem-se como se tivessem acordado dentro de um editorial da Dazed, mas falam como personagens rejeitados e cool de uma série da HBO.
O mais irônico é que, ao tentarem fugir de todo e qualquer arquétipo, acabam se encaixando perfeitamente em um novo. O arquétipo do desencantado cínico. Do entediado hiperinformado. Do outsider replicável.
É um tipo. Um tipo como qualquer outro. Só mais bem editado.
E se você for como eu, sorri. Claro que você sorri. Você percebe, mas acha que tudo bem conviver, pois tudo é belo, válido, cintilante. E caso isso te sature, acredita que pode mudar as situações e seus personagens com paciência. Com inteligência. Com gentileza. Como se fossem um código e você, um programador romântico.
Aí vem o despertar. Porque tudo o que você ganha é só porrada na porra da sua cara!
Tem gente gosta do poder. Da incerteza que planta em você. Elas são um captcha emocional. “Prove que você é humano.” E você falha. De novo. E de novo.
Você pergunta: “Tudo bem?” Até que respondem, mas nunca como você espera. Jogam migalhas como se fossem observar pombos brigando. Respondem com um “kkk cry” que te desidrata por dentro. Respondem com um emoji. O errado. Sempre o errado. Ou uma figurinha animada da moda e que traduz o Zeitgeist.
Pessoas assim não te querem por perto, mas acham legal te assistir afundar.
Nem perca tempo mandando à merda. É inútil. Elas são imunes ao constrangimento. O que você precisa mandar embora (ou exilar, com urgência cirúrgica) é a criatura patética e performática que habita sua mente: aquele homúnculo ansioso.
Esse pequeno ser quer atuar o tempo todo. Quer dizer a coisa certa. Quer ser amado enquanto queima lentamente na fogueira das vaidades digitais.
Silencie-o sem violência, mas com desdém. Porque ele é previsível. Caricato. E porque continuar dando palco a esse palhaço interno é o que mantém você vulnerável a gente estúpida com megafones emocionais.
Hoje pela manhã, tropecei com aquela clássica frase de autoajuda vitaminada:
“Onde quer que você vá, não importa o clima, sempre leve seu próprio sol.” — Anthony J. D’Angelo.
Muito bonito. Inspirador, até. Mas permitam-me uma pequena adição editorial:
“Onde quer que você vá, não importa o clima, sempre leve seu próprio sol… E enfie toda essa luz com força no rabo de quem vem te tirar de otário”.
Simbora. E se vierem com desaforo, devolva com brilho. Nos olhos ou nas entrelinhas.
De preferência, com os dois.
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[20.06.2025 – sexta]
16:46 – A molecada polonesa do ZDECHŁY OSA é a prova viva de que ainda tem jovem fazendo som bom, original e com personalidade. Com um instrumental poderoso e uma presença crua, o clipe, simples na forma, mas certeiro na linguagem visual, traduz o tema com perfeição, mesmo que você não entenda uma palavra do que está sendo cantado.
F.O.D.A!
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11:26 – Acho curioso esse hábito paulistano de colar capas de lançamentos musicais em lugares aleatórios: muro rachado, poste torto, portão de oficina. É guerrilha? É estética? É pra intrigar ou pra esquecer depois? Qual será o plano por trás do improviso?
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11:16 – Cada dia mais animado com essa bagunça boa e descentralizada chamada Fediverso.
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09:52 – “Quem é feliz faz os outros felizes também”, disse Anne Frank. O problema é que gente azeda também compartilha, só que com muito mais entusiasmo.
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09:52 – Aquela gripe maneira que te deixou com a voz do Milton Cunha e que você pegou em um dos dois dias de presencial advinda de belas garotas jovens e inconsequentes que chupam vapers o dia inteiro e, apesar de belas por fora, estão todas emporcalhadas por dentro.
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[17.06.2025 – terça]
16:43 – Conselhos para a juventude: mantenha o mistério. Emoções demais só rendem boas músicas, não uma vida tranquila. Até planta morre se pega muito sol (e quem se expõe demais ainda vira comentário sarcástico no Bluesky).
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08:50 – O compromisso é sempre com você, nunca com uma suposta audiências.
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[09.06.2025 – segunda]
09:00 – Hoje amanheceu um tempo horrível de bom. Garoa triste, ruas molhadas. Choro de asfalto. Fui resolver as coisas antes das 9h, antes do expediente que, mesmo home office, oprime e aperta minha mente a quilômetros de distância.
Ponho os fones. Ligo no aleatório. Tudo se transforma. Honeymoon, Magic Wands. Possibilidades impossíveis surgem na tela do consciente. Inicio o modo fantasia. Crio minúsculos takes de filmes indies, com performances icônicas.
Imagine o que poderíamos fazer com essa trilha.
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08:44 – A magia do talvez.
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[08.06.2025 – domingo]
00:12 – Sábado à noite é quando viro laboratório: despejo 2 garrafas de cabernet no sistema, assisto o caos emocional de Shameless, depois deixo Rick and Morty recalibrar o cérebro com existencialismo animado. Só então apago. 100% operacional segundo o manual interdimensional do bom vivente disfuncional.
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[07.06.2025 – sábado]
23:13 – Era melhor ter assistido o filme do Pelé.

Mountainhead. https://boxd.it/Sskq
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18:48 – Eu sei, tem muito jornal por aí que é escroto até a última vírgula. Mas ainda assim, jornal é uma mídia da porra. Sempre, sempre, você descobre alguma coisa nova quando folheia um. É por isso que eu continuo lendo até hoje. Tem algo de serendipidade nisso, esse acaso que te apresenta o que você nem sabia que queria saber.
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18:32 – Sempre bom saber sobre hábitos de intelectuais que podem ajudar a exercitar a mente.

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[06.06.2025 – sexta]
22:24 – Quando chega a noite, uma ansiedade estranha me ataca. Tenho agonia de tocar em telas. Que loucura. Maneirar no pré-treino.
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22:16 – Tinha prometido a mim mesmo o primeiro episódio do Diario Random, mas não consegui.
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[03.06.2025 – terça]
22:15 – Não busque quem cuide de você. Encontre alguém disposto a dançar com sua alma.
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11:08 – Ao invés de lutar por mais proteção social e melhores empregos, estão tentando a boa e velha viração sob a falsa promessa de riqueza. Estatisticamente, não ficarão. Um ou outro vai e tentará mostrar que todo mundo pode. O jovem tem mais é que se lascar mesmo para deixar de ser burro.
Mas se bem que também tem uns adultos aí que esquecem as estatísticas e caem de boa em balela. Day Trader é o melhor exemplo.
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[02.06.2025 – segunda]
23:46 – The More You Ignore Me, the Closer I Get
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21:14

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21:03 – Document Your Life
Há algo profundamente humano nesse impulso de registrar o que vivemos, como se, ao capturar um instante, conseguíssemos conter o tempo, torná-lo menos volátil.
Owen entende isso com uma sensibilidade rara. “Documente Your Life” não é um vídeo sobre gadgets ou técnicas, embora eles estejam lá, com charme analógico e digital. É sobre o porquê de registrar: porque estamos aqui por um breve intervalo, e talvez o mais bonito que possamos fazer seja deixar rastros para quem vier depois.
Com uma Canon R6, uma Kodak H35 ou uma velha máquina de escrever, o que importa é o gesto, um bilhete deixado no tempo. Um filme com grãos, um vídeo com falhas, uma carta dobrada no fundo da gaveta: tudo isso é memória em estado bruto. E como Owen diz (e vive): não se trata do equipamento, mas dos momentos.
Documentar a vida é só mais uma forma de amar.
(Porra, isso vale um post!)
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[02.06.2025 – segunda]
20:35 – Do alto dos meus 47 anos, deveras digo hoje: terei um vlog. hhahahahahaah
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15:45 – Passei a manhã com os ouvidos plugados no surf-rock intergaláctico dos Pixies. É que saiu uma gravação ao vivo deliciosa, com dois álbuns inteiros tocados na unha: Bossanova (1990) e Trompe Le Monde (1991), registros oficiais da turnê europeia de 2024, capturados em 15 shows, cinco cidades e um surto coletivo de guitarras e distorções bem colocadas.
Velouria, Dig for Fire, Planet of Sound, Letter to Memphis… tudo lá, cuspido com energia e sem cerimônia. É aquele tipo de barulho bom que gruda no cérebro como uma onda quebrando na parede.
Recomendo pra quem gosta de ouvir nostalgia sem precisar entrar em crise. Ou pra quem ainda não entendeu por que Frank Black grita tanto e com tanto estilo.
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12:30 – Eu sei, eu sei.
Inventei esse espaço para a descontração e desopilação da vida, espécie de boteco sem barulho, confessionário sem culpa, jardim suspenso no caos digital.
Mas a verdade é que atualizo pouco. Vida adulta, amigos. Infelizmente, não ganho meu rico dinheirinho blogando. Aqui é meu hobby para não enlouquecer.
Porque sim, blogar é uma forma de terapia que não cobra coparticipação do plano de saúde. A cada parágrafo, a gente organiza o caos, pendura pensamentos no varal e sacode a poeira das emoções bostas dos dias.
Blogar é falar com o vazio e, de repente, descobrir que tem gente escutando. Às vezes comentando. Às vezes virando amigo. Ou… Sei lá… Sumindo, como todo mundo que a gente conhece faz.
Tem algo de alquimia nisso tudo, sobre transformar o ordinário em observação. Blog é onde a gente se ouve e, se tiver sorte, ouve o outro também. É papo com delay, conversa de fone de ouvido e coração aberto. É diário que amadureceu, mas ainda sonha.
E já que estamos em junho, esse mês que cheira a milho, fogueira e promessas feitas debaixo do céu estrelado, por que não reacender nossas pequenas tradições também?
Se o povo acende balão e dança quadrilha, eu reacendo meu blog, coloco palavras no ar e tento me lembrar do que me move. Junho tem cheiro de interior e sabor de recomeço (assim como todos os anos, meses, dias e segundos).
E por isso volto: me organiza. Continuo blogando mesmo que não ganhe nada com isso. É meu modo de escorrer pela sua mente. Porque há coisas que valem mais que dinheiro. O prazer de existir em palavras, por exemplo.
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O Status Café é só um blog dentro do blog. Uma espécie de bastidor escancarado, onde eu sento com a xícara na mão (mentira, eu odeio comida no computador hahaahah) e vou despejando coisas.
É meu lifestreaming sem pretensão de viral, só um fluxo contínuo de observações, desejos, ideias soltas e listas que ninguém pediu.
Aqui entra tudo que não cabe em post roteirizado: o filme que me desidratou, a música que me salvou no metrô, o link que me deu um nó na cabeça. É onde as coisas chegam cruas, sem filtro e sem pauta. Um feed emocional, só que sem algoritmo.
Se o blog é a casa, o Status Café é a cozinha: lugar de conversa, de improviso, de confidência casual. Tem dias em que é só um lembrete de que estou por aqui. Em outros, é quase manifesto. Mas sempre tem esse fundo de mesa de bar com internet, onde se pode falar tudo, mas ninguém é obrigado a concordar.
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ê saudade de documentar a vida por meio de vídeos-vlogs. saudades de ter tempo pra fazer isso com calma (registrar e organizar né, vamos lá).
mas é isso, memórias no estado bruto e mais formas de amar essa vidinha doida 🙂
Sim. Dá um trabalho imenso. Mas é divertido.