10 microcrônicas baseadas em acontecimentos que a vida põe diante dos meus olhos todos os dias.
1. TAL QUAL A VIDA
A Estação Paraíso, embora pequena, é um labirinto de escolhas. Seus muitos caminhos de entrada e saída sempre me levam ao desencontro.
A prova de que Paraíso pode ser diabólico, no sentido de dualidade.
2.SHUFFLE
Todo player executando no aleatório tem o dedo mágico de Deus. Algo como um oráculo soprando uma dica que, caso seja seguida, leva a bons caminhos. Ou maus. Ou nenhum.
3. DISPERSÃO GENERALIZADA
Quem vê séries no celular andando? Metade da população desta cidade!
4. CHARGISTA
Eu queria ser Estela May: Ganhar dinheiro sendo estranha pra caralho!
5. J.A
Entrou no vagão com uma presença tranquila. Todas as cadeiras ocupadas. Encontrou um lugarzinho para se recostar em pé. Da bolsa, sacou “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Estava no início. Fiquei feliz. Eu e aquela pessoa compartilhamos o mesmo ser em nossas mentes: o sedutor e irreverente Vadinho.
6. ATIVO OU PASSIVO
Todo paulistano é fumante.
7. FÃ
“Estou remaratonando The Bear”, informou com todo entusiasmo logo pela manhã.
8. CORES
Há pessoas tão deslumbrantes quanto manchas de óleo no asfalto: um arco-íris líquido, colorido, divertido e lindíssimo, mas altamente tóxico e poluente.
9. CARTAZ NA RUA
“Vendo apartamento. Motivo de saúde”.
10. LEITOR VORAZ
No meio do caos urbano, caminhava como se o mundo à sua volta não existisse. Carros freavam, buzinas gritavam, mas seus olhos estavam presos ao pequeno retângulo de papel que segurava com uma mão.
A cidade era apenas um cenário de fundo, uma mera distração. Os pés seguiam no automático, desviando dos buracos e das pressas alheias. Não percebeu o semáforo, nem o cachorro que parou ao seu lado, curioso. Ao terminar a frase, ergueu os olhos, já do outro lado da rua, sem saber exatamente como chegou ali.
Um plus:
11. HOMELESS
No canto da praça, debaixo da sombra de uma árvore antiga, se sentava como quem reinava em seu próprio império de concreto e fumaça.
O cachimbo, velho e desgastado, pendia de seus lábios com uma elegância quase intencional.
Tragava com calma, soltando nuvens lentas que dançavam no ar, enquanto observava o movimento da cidade como um espectador atento.
Suas roupas surradas tinham um charme involuntário, alheio à moda, mas ainda assim como se a ditasse.
As pessoas passavam, olhavam de relance, mas não se importava. Naquele momento, com seu cachimbo e sua liberdade, era simplesmente a definição de tudo aquilo que está a um passo do bom gosto.
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