Ela não é uma artista com um trabalho reconhecido internacionalmente, não enche estádios e é muito, muito jovem. Mas posso garantir que essa garota está morando em meus ouvidos há algumas semanas. E se você se permitir, ela vai morar no seu também.
Hannah Jadagu sabe como fazer um marmanjo de 46 anos se sentir adolescente novamente. Claro, pelos motivos mais nobres: me levou de volta para uma parte da minha história repleta de descobertas musicais e de vida. Culpa da voz doce, da guitarra distorcida e das canções pop mais que perfeitas bem executadas.
Remete às coisas boas dos anos 90: indie rock, shoegaze e dreampop. Tem também melodias suaves e introspectivas, letras que exploram temas como amor, perda e crescimento pessoal, tudo embalado em uma produção minimalista, muitas vezes feita em seu próprio quarto.
Faz jus ao termo “indie”, do inglês independent: lançou seu EP de estreia, What Is Going On? em 2021, gravado inteiramente em seu iPhone 7.
O feito chamou a atenção da crítica por sua autenticidade e sensibilidade. A prova de que, quando temos algo para mostrar ao mundo, a coisa vem com tudo, sem desculpas sobre equipamentos ou itens afins.
Aos 19 anos, a texana assinou contrato com a Sub Pop, gravadora independente de Seattle que dispensa apresentações: famosa por ser a primeira a descobrir bandas icônicas do movimento grunge, como Nirvana, Soundgarden e Mudhoney.
Assim, trazendo temas como transição, mudança e as incertezas da vida adulta, Aperture (2023), seu primeiro álbum, é uma delícia. Todas as 12 faixas são um sonho bom que nos faz despertar pela manhã com uma alegria sem motivos. É uma antítese que só vi com The Smiths ou Cardigans, por exemplo.
Ao ouvir Hannah Jadagu, sinto que há algo mágico. Transporta a alma para um lugar de serenidade e introspecção, algo perdido atualmente. Tem uma profundidade, uma coisa honesta.
Em um mundo onde reina o superficial, nos oferece a prova de que a verdadeira arte não precisa de palcos grandiosos ou orçamentos exorbitantes. Basta uma guitarra na mão e a coragem de ser quem você é e com os itens que têm à mão.
É exatamente isso que faz dela não apenas uma promessa, mas uma realidade que toca profundamente quem se deixa levar por sua voz.
Hannah nos traz uma lembrança essencial, embora quase esquecida: a música é, acima de tudo, uma profunda expressão da condição humana. E isso faz toda a diferença.
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