Acordei na madrugada, chuvinha caindo mansa. Uma satisfação.
Na cama, pensei: Não quero ansiar nada. Sei que é ilusão a tentativa de não criar expectativas ou se deixar levar pela ansiedade, mas o exercício é válido.
Das inúmeras coisas que queremos e não temos, pelo menos as conscientes tiramos do radar, diminuindo um pouco a carga. Então, é menos pele da boca para cutucar e mordiscar.
E o motivo de uma dessas ansiedades é o seguinte: estou em dúvidas de como me expor no mundo. Escrita? Vídeo? Áudio? (E talvez pergunte: Tem coisa melhor para ansiar não? Tenho, mas não diz respeito a ninguém, né. Vamos se expor, mas nem tanto).
Por que não tudo? Ir adequando cada tipo de conteúdo, analisando se serve nas calças justas destas três mídias citadas Sim, essa é a resposta. Mas vou deixar para um vídeo. Sim, o formato vlog, no caso, é melhor para explicar essas coisas.
Quero focar no título deste post, assunto que me deixa de verdade muito feliz.
Pois estive lendo uma cacetada de coisas sobre blogs, vlogs, redes sociais e tudo o que se refere a pôr a voz no mundo do seu jeito.
Vou tentar ser o mais objetivo possível, já que o assunto é extenso e não tenho tempo nem cabeça para criar algo mais sofisticado. Veja isso aqui como uma lista de evidências para criar a sua opinião.
Se liga:
1
Redes sociais: o fim como conhecemos?
Redes sociais estão mudando: menos posts públicos, mais grupos fechados e vídeos. Isso traz desafios e benefícios. O futuro das redes sociais ainda é incerto.
Para embasar, 3 matérias bem importantes:
SXSW 2024: A Era das Redes Sociais chegou ao seu fim. E o que vem depois?
2
Certo.
Então começo a perceber, principalmente aqui neste meu blog, pessoas vindo de diversos lugares e sites pessoais. Não eram redes, eram blogs raiz, como o meu!
Iniciei a antiga arte da trilha de blogs, visitando um por um, percebendo a tendência. Emocionado que sou, mandei no Twitter: “Alguém mais está percebendo que os blogs pessoais (blogspot, wordpress, substack) estão voltando? Quem estava com a conta parada, voltou a publicar. E quem não tinha, agora está fazendo. E todos estes blogs estão com blogroll! A web oldschool, do blog arte, moleque e despretensioso, está de volta? Deus queira!”.
Nessa pesquisa, encontrei o Blogueiros Raiz, “um lugarzinho na internet criado para reunir blogs pessoais, estilo diarinho, que foram tão famosos no início dos anos 2000 e hoje em dia são quase raridade”.
Uma graça o lugar. Tem até aqueles “gifizinhos” fofos representando um tema do site ou da comunidade. É um ótimo ponto para começar, já que ele divulga outros blogs.
E se você é um blogueiro raiz e quer aparecer lá, é só enviar o seu link usando o formulário. E tem regras:
O blog precisa ter pelo menos uma atualização nos últimos 6 meses.
O conteúdo do blog precisa ser predominantemente pessoal.
Blogs com qualquer tipo de conteúdo ofensivo NÃO serão linkados.
É uma movimentação incrível, pois são ações como essas que podem diminuir o poder das big techs e do grande monstro destruidor de independência e gerador de ansiedades mil, o GAMM (Google, Amazon, Microsoft, and Meta).
HOLY FUCKING SHIT!
Finalmente a juventude está percebendo que podem ir além das redes proprietárias e que seus blogs podem ser um repositório da diluição de conteúdos que distribuem por aí.
3
Beleza, você chegou ao ápice deste post, e é aqui que talvez você tenha um insight ou mindfucking ou um puta que pariu, estamos fudidos, cara!
Em um post do Manual do Usuário, vejo uma dica para o artigo Any Technology Indistinguishable From Magic is Hiding Something (Qualquer tecnologia indistinguível da magia está escondendo algo) escrita por um cara que escreve sobre tecnologia, design e mídia sociais, Jason Velazquez, o qual já me tornei fã e já inseri o mancebo em meu RSS Reader (Ah, tu não sabe o que é isso, desgraçado? Pois pesquise e deixe de ser besta, porra).
Como eu sei que sua preguiça é insana (gente, é brincadeira, viu? Pelo amor da Deusa dos Dragões!), vou resumir, já que é do tamanho do inferno:
É sobre a consolidação da infraestrutura da internet por quatro grandes empresas: Google, Amazon, Microsoft e Meta (GAMM).
Ele argumenta que o termo “nuvem” é uma eufemismo que oculta essa consolidação e que a infraestrutura da internet, agora controlada majoritariamente por essas corporações, é vendida aos consumidores como poder computacional bruto.
Também sugere que o futuro da web será dominado pelo consumo, em vez de tecnologias emergentes como blockchain ou NFTs.
Jason critica a ideia de que a nuvem é uma entidade separada, insistindo que é simplesmente a internet, e que a redução dos custos de armazenamento de dados levou a uma mudança no modelo de negócios para focar em poder computacional.
Em resumo, o problema nunca foi tempo de rede, mas como a internet foi engolida por essas grandes corporações e transformam tudo num mar de likes, comparações e ansiedades, devidamente monetizado, desde os cabos de fibra ótica até aquele likezinho que você deu no crush.
“A Internet não funciona em nuvens dispersas e fluxos acelerados. São necessários montes de fibra de vidro e aço torcido para enviar um DM para aquele lindo garoto francês do seu ano no exterior. E são necessários milhares de quilômetros de cabos, viajando a velocidades impossíveis pelas profundezas de nossos oceanos, para que ele deixe você lendo. Eu não estou julgando. Todos nós já passamos por isso, meu querido”.
Ou seja, seja aqui, no blogspot, no substack, ou mesmo se você tem seu site e e-mail dentro do seu próprio servidor em casa, os cabos, meu caro amigo, são do Google, Amazon ou Meta.
Nós estamos dentro da barriga do monstrão!
E como podemos nos rebelar? Segue:
“Quando as plataformas de mídia social corporativa começaram a tomar conta, procuramos alternativas. Alguns de nós, como eu, redescobrimos a web aberta. Relembramos uma época em que a web era mais do que apenas otimização de mecanismos de pesquisa e indicadores-chave de desempenho. Antes que um algoritmo nos fizesse dançar durante o jantar. E parecia certo. Então, criamos blogs e sites pessoais e colocamos pequenos emblemas pixelados nos rodapés, como costumávamos fazer. Em seguida, mudamos para mídias sociais descentralizadas e participamos de pequenos fóruns”.
Lindo, né? E tem mais:
“Conquistamos um espaço na web que não estava à venda. Nossa existência nesta web sem personalidade jurídica ameaça aqueles que fizeram fortuna com nossas vidas digitais. As quatro maiores corporações do mundo não vão simplesmente desistir e nos deixar ter a peculiar web indie que todos desejamos. Eles subiram uma camada para que continuem sendo nossos guardiões, não importa aonde formos”.
“Não há respostas fáceis. Existem livros inteiros sobre como recuperar a Internet que eles roubaram de nós. Internet For The People, de Ben Tarnoff, é um dos meus favoritos. É uma exploração inspiradora da história não contada da Internet e contém ótimos apelos à ação”.
A partir do texto, peguei outras referências para tomar de volta a internet para as pessoas comuns:
32-Bit Cafe: um coletivo formado por desenvolvedores de sites, artistas, designers de sites, escritores, tecnólogos, estudantes universitários e entusiastas da Internet em diversos níveis de especialização. Acreditam que construir o seu próprio site é importante e este é um hobby que precisa ser fomentado num espaço sem julgamentos. Conversar com pessoas interessadas no mesmo hobby que você é super divertido e construir coisas com elas é ainda mais divertido. E rebelde.
Dez Mandamentos da Pequena Internet: o movimento visa reconhecer que hoje a maioria das pessoas pode garantir a sua liberdade de expressão tendo os seus próprios websites baratos e eficientes. A ideia é proporcionar experiências agradáveis aos utilizadores da web, criando muitos pequenos oásis no deserto, semelhante a uma duna, que abrange o planeta, da Internet comercial.
Slow web: “Vivemos em um mundo onde poucas empresas controlam tudo o que fazemos, possuímos e compartilhamos online. É a era de ouro da intimidade computacional: um ambiente de design sedento de dados e de vigilância que fingem ser nosso amigo.
Para salvar a Internet que amamos, devemos tomar outro rumo. É hora de reestruturar a Internet para que possamos possuir e controlar os nossos pertences digitais, os nossos dados, os nossos feeds e as nossas identidades.
Tínhamos o controle e o perdemos.
Para recuperá-lo, a equipe por trás da Slow Web Initiative também lançou o Polite , a primeira plataforma de “auto soberania” para nosso conteúdo e nossa cultura”.
Assim, o nosso dever de casa é:
- Crie um blog pessoal.
- Siga/assine outros blogs/pessoas
- Se preferir, ponha todos os seu favoritos em leitor de RSS livre e gratuito: tome este.
- Não se preocupe com monetização.
- Esvazie as redes proprietárias, mas, se não quiser, tente estar menos e mais entre os seus.
Estes coletivos e pessoas não estão apenas construindo, mas moldando um novo mundo, onde a essência da comunidade brilha em sua plenitude.
Cada contribuição é um tijolo na construção de laços mais fortes, em um espaço em que a proximidade e a intimidade florescem.
Sinto uma alegria profunda em sermos parte dessa rede de almas afins, com cada indivíduo sendo uma peça valiosa no quebra-cabeça da construção de uma web mais humana e autêntica
E seria muito legal, mas muito mesmo, se você fizesse parte disso.
:::
P.S: Fui à livraria comprar um livro e trouxe outro, Os Diários de Sylvia Plath (1950 – 1962). Me deparei com esta frase na contra capa: “É impossível ‘capturar a vida’ se a gente não mantém diários”. Foi o feliz e simplório acontecimento que engatilhou a ideia para este post.
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Nesta semana, conversei com algumas blogueiras sobre um ponto que você levantou no texto. O blog pode ser “repositório de conteúdos”. Em vez de criar uma sequência de stories falando sobre um livro, anoto minhas ideias e escrevo um post completo para o blog. Ou até posso fazer a sequência, mas depois reutilizo esse conteúdo em um espaço que, em alguma medida, é meu.
Precisaria deixar de ir na onda do imediatismo, seguir em uma vibe mais Slow. Estou tentando fazer algo assim por aqui. #oremos
Nesta semana, conversei com algumas blogueiras sobre um ponto que você levantou no texto. O blog pode ser “repositório de conteúdos”. Em vez de criar uma sequência de stories falando sobre um livro, anoto minhas ideias e escrevo um post completo para o blog. Ou até posso fazer a sequência, mas depois reutilizo esse conteúdo em um espaço que, em alguma medida, é meu.
Precisaria deixar de ir na onda do imediatismo, seguir em uma vibe mais Slow. Estou tentando fazer algo assim por aqui. #oremos
Nesta semana, conversei com algumas blogueiras sobre um ponto que você levantou no texto. O blog pode ser “repositório de conteúdos”. Em vez de criar uma sequência de stories falando sobre um livro, anoto minhas ideias e escrevo um post completo para o blog. Ou até posso fazer a sequência, mas depois reutilizo esse conteúdo em um espaço que, em alguma medida, é meu. Precisaria deixar de ir na onda do imediatismo, seguir em uma vibe mais Slow.
Estou tentando fazer algo assim por aqui. #oremos
Nesta semana, conversei com algumas blogueiras sobre um ponto que você levantou no texto. O blog pode ser “repositório de conteúdos”. Em vez de criar uma sequência de stories falando sobre um livro, anoto minhas ideias e escrevo um post completo para o blog. Ou até posso fazer a sequência, mas depois reutilizo esse conteúdo em um espaço que, em alguma medida, é meu. Precisaria deixar de ir na onda do imediatismo, seguir em uma vibe mais Slow.
Estou tentando fazer algo assim por aqui. #oremos
Exatamente. Ainda bem que muita gente tá sacando isso. Melhor para todo mundo. O Austin Kleon bate demais nessa tecla: um story não pode virar post de blog e vice-versa? É uma lógica muito louca que a gente aceitou sem saber o motivo. Vai dar certo!