A página está em branco. Mas daí ela começa a parir e multiplicar palavras quando tudo fica calmo, quando a cidade dorme, no silêncio ensurdecedor de uma noite de outono.
Bom mesmo é viver cada dia como se fosse um espetáculo único. Com o coração puro, sem preocupações, sem dores, sem paixões que tiram o sono.
Riqueza mesmo é a vida simples e a felicidade de ter um cubículo em seu apartamento que cabem todos os seus livros e que se pode entrar nele, ler até tarde, quando os olhos já bem cansados pedem docemente para fecharem.
Foi rodeado por estes amigos de longa data que me dei conta que possuo uma edição de 1958 de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, comprada num sebo, anos atrás. Páginas amareladas, cheiro de alfarrabios antigos e água na boca.
Que achado! Que alegria! Eu sou Santiago porque “tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”.
Também tem o jornal deixado propositalmente em cima da escrivaninha mesmo depois de lido, somente para incensar o lugar com o seu perfume nostálgico e tão adorado pelo meu espírito.
Depois, adormecer serenamente ao som das respirações amadas que já reinavam na cama horas atrás. Antes de mergulhar nos abismos do sono, a certeza que vou lembrar que, no final, todos encontraram a felicidade e que o pior já passou. E que sim, tudo, absolutamente tudo, passa.
Eu sei, você sabe, meu bem, tudo o que é sólido se desmancha no ar em algum momento. E isso é maravilhoso!




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