[ As imagens deste post foram geradas a partir da letra “Mistério Stereo“, de Curumin, com o Adobe Firefly.]
– Eu desvendei um mistério!
– Pô, então diz aí pra nóis!
– Acho melhor não!
Mas a minha mente, não sei se em êxtase ou profundamente melancólica, me diz:
– Agora eu sei… Agora eu sei!
Desvendar um mistério, oh doce encanto! A mente quieta, um sussurro suave. Um livro de letras invisíveis que finalmente aprendemos a ler.
Estava ali, ao meu redor, em cada som, em cada sombra, em cada raio de claridade.

Noite de brisa morna, lua prateada. Charada lançada no ar como uma promessa, um convite à mente. Os olhos se fixaram naquilo que se escondia nas sombras. O que está oculto nas entrelinhas da realidade?
– Dan, é fácil. Se liga na “Fenomenologia”. Vê e revê. Leia e releia. Disse minha mentora.
Folheei o tempo e o espaço com dedos ansiosos. Mergulhei no desconhecido, onde a escuridão dança com o seu contrário.
Uma floresta de grifos, sim. Mas ponha as mãos em concha nos ouvidos e os galhos vão te sussurrar segredos, e as folhas, como pergaminhos, cairão aos seus pés.

As estrelas piscam códigos como olhos cúmplices no céu noturno, e o vento canta canções antigas. Um eco medonho por todos os lados, uma melodia oculta que guia os passos.
Desvendando pistas e decifrando códigos, sinto a emoção do desconhecido me envolver como um manto de seda negro: sedoso, mas horripilante.
Cada mínima coisa me leva mais fundo no labirinto, e o coração bate mais forte: Ariadne e o Minotauro são um só ser, atraindo pessoas-suprimento, em tempos diferentes, em ciclos sem fim.

Quando o novelo do enigma se desdobrou diante dos meus olhos e a verdade brilhou até ofuscar, a resposta revelada foi poesia que flui dos lábios de um universo envolvente, louco e cruel, a música pop perfeita que ressoa em nossos corações e deixa leitoso os nossos olhos.
Bomba de amor, projeções astrais, triangulação de planetas, queda no buraco negro, silêncio abismal e a prisão eterna.
Tudo o que é saudável sugado. O amor requer um espaço seguro para que você possa ser o seu estado mais puro: a raiva, a tristeza, a insegurança, a alegria, a risada alta.. Tudo.
Na aurora, pensei:
– E o que vem depois?
– Nada. Pegue sua taça e beba um grande gole de esquecimento.
– Um brinde ao belo, insondável e infinito ostracismo!
E sorrio satisfeito com o coração alvo e puro.

… e as lojas de vinho metade abertas de noite e as castanholas e a noite que a gente perdeu o barco em Algeciras o vigia de um lado pro outro tranquilo com o lampião e ah terrível torrente profunda ah e o mar o mar carmim às vezes que nem fogo e aqueles poentes deslumbrantes e as figueiras nos jardins de Alameda sim e aquelas ruelas esquisitinhas todas e as casas rosas e azuis e amarelas e os roseirais e os jasmins e gerânios e cactos e Gibraltar eu menina onde eu fui uma Flor da montanha sim quando eu pus a rosa no cabelo que nem as andaluzas faziam ou será que hei de usar uma vermelha sim e como ele me beijou no pé do muro mourisco e eu pensei ora tanto faz ele quanto outro e aí pedi com os olhos pra ele pedir de novo sim e aí ele me perguntou se eu sim diria sim minha flor da montanha e primeiro eu passei os braços em volta dele sim e puxei ele pra baixo pra perto de mim pra ele poder sentir os meus peitos só perfume sim e o coração dele batia que nem louco e sim eu disse sim eu quero Sim.
Trecho final do Monólogo de Molly Bloom – Ulysses – James Joyce

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